Por Um Novo Teatro Clássico Brasileiro / For A New Brazilian Classical Theatre

PauloAutran

(ENGLISH VERSION NEAR THE BOTTOM)

Introduzindo a Jogadores de Shakespeare (JdS) –

Uma companhia bilíngue de formação de atores segundo a tradição Elizabetana – atenta ao presente, dando vida ao passado.

– Introdução:

A iniciatia ‘Jogadores de Shakespeare’ é a proposta do ator-diretor Rodrigo “Rod” Beilfuss, que há mais de uma década estuda e pratica o teatro de Shakespeare no Canadá e Inglaterra, para o desenvolvimento de uma base brasileira de treinamento no teatro clássico.

Natural de Santa Maria, RS, Beilfuss estudou interpretação teatral na University of Winnipeg, e depois de trabalhar como profissional nos palcos do Canadá por cinco anos, se mudou para Londres – onde se encontra no momento, trabalhando na conceituada London Academy of Music & Dramatic Art (LAMDA).

Após 13 anos fora do Brasil, Beilfuss retorná a Terra-Natal entre 2013/2014, se instalando (provavelmente) em Belo Horizonte, onde lançará a companhia teatral Jogadores de Shakespeare.

– A Companhia:

O texto de Shakespeare é essencialmente muscular, não intelectual. Infelizmente, no mundo moderno, o verso Shakespeariano se tornou literatura acadêmica – dissecado e re-editado inúmeras vezes – na medida que muitos esqueceram que Shakespeare o criou especificamente para atores, para o palco.

Sendo assim, o verso de Shakespeare é uma experiência corporal, extremamente técnica e de prazeres sensuais puros. Com isso em mente, a palavra ‘jogadores’ vem como inspiracão na formacão da identidade desse grupo. A propósito, em inglês, “jogadores” é traduzida como “players”, uma palavra extremamente flexível (ex. “Players of Shakespeare” – os atores de Shakespeare). O termo serve tanto para jogadores no sentido de atletas, como no sentido de interpretadores/atores, e até mesmo ‘brincalhões’. Ou seja, é um trocadilho que estimula um certo atleticismo para a disciplina, e ao mesmo tempo descontração, no estilo geral da companhia.

Adicionalmente, já que um dos intuitos do grupo é trazer uma boa pitada de “brasileiraridade” ao Bardo inglês, a tradição futebolística do Brasil influenciou no batizado da companhia como “Jogadores de Shakespeare”.

O termo ‘jogadores’ também nos inspira a manter o estudo e treinamento de maneira prática, física e extremamente ativa. Afinal, nos tempos de Shakespeare, os atores não sentavam para ler e memorizar suas falas, e nem mesmo ensaiavam por longas horas. A época de Shakespeare pertencia a uma cultura voltada à escuta, e não ao estímulo visual. Atores recebiam pequenos pedaços de papéis com apenas as suas falas, e as ultimas três ou quatro palavras das falas do personagem anterior, indicando as deixas. Os ensaios eram basicamente inexistentes, e atores nunca sabiam a trama inteira de um espetáculo antes de fazê-lo; e nem mesmo por quanto tempo seus parceiros falariam até chegarem naquelas três ou quatro palavras que indicariam as deixas para o próximo ator. Ou seja, a ação era de um ritmo contagiante e energia frenética, com extremo foco na habilidade de escutar o verso de maneira ativa, física, para que nada passasse desapercebido.

Essa prática de ensaios/montagens, conhecida como “cue scripts”, é um dos aspectos legitimamente Elizabetano que a JdS pretende desenvolver para atores e estudantes em Minas Gerais (onde a cia pretende se instalar, já que a região logo receberá uma réplica do Teatro Globe de Shakespeare, e onde a comunidade artistica demonstra muito interesse na obra do Bardo).

Paralelo a esse experimento, a JdS liderará oficinas no domínio da linguagem de Shakespeare, e sua significância e aplicação no teatro moderno. Para iluminar essa prática, os atores serão guiados através do estudo prático do Primeiro Folio de Shakespeare (a primeira publicação das peças, de 1623), e em sua versão original: no inglês.

Mas, sem preocupações! Não é necessário que o ator fale inglês (embora, isso possa auxiliar!) para desenvolver essa prática. A atividade seria apenas uma aventura exploratória na linguagem de Shakespeare, onde atores seriam guiados através da análise prática do texto original, em comparações com traduções do passado e presente. Afinal, todo processo de tradução é um processo de adaptação cultural, e já que a linguagem de Shakespeare foi uma parte tão importante e específica da própria arquitetura do Teatro Globe de 1599, os atores que pisarem em palcos de teatro clássico no Brasil deverão estar cientes e em contato ativo com essa história como parte de sua formação.

Uma das aplicações práticas dessa atividade seria uma possível montagem bilíngue de um espetáculo Shakespeariano. A exploração teria como intuito a análise das relações do texto original de Shakespeare com suas diversas mutações através dos séculos; seria um interessante estudo das diferenças entre os idiomas (inglês e português), e também da própria natureza da musicalidade – do som em si – do verso de Shakespeare recitado em diferentes línguas e traduções. Ou seja, tudo isso seria uma celebração prática, desafiadora e extremamente divertida da eternal universalidade de Shakespeare.

Enfim, a companhia Jogadores de Shakespeare daria aos atores brasileiros uma sólida base para o aperfeiçoamento da interpretação clássica que as peças de Shakespeare requerem – com uma boa pitada de modernidade, e do gostoso e eterno “jeitinho” brasileiro.

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JdS – the background & idea: A Classical Company That Is Alive To The Present –

The celebration of Britain’s artistic legacy was one of the most exciting things about the many events surrounding the London 2012 Olympics – and at the very heart of that celebration was the world’s most beloved poet, William Shakespeare, whose plays were performed around London in many different languages throughout the summer festivities.

Within the next four years, we will see the Games being transferred to Rio, as Brazil prepares to stage another celebration of universality through sport and culture – and I believe Shakespeare can, once again, play a prominent role in shaping this South American celebration.

I’m a Brazil-born Canadian actor, trained in Britain, with a German last name. Believe me, it’s confusing. However, as Brazil grows into a global power, I have become compelled to return to the motherland in order to put my internationally-acquired skills into practice and assist in the country’s cultural development.

In recent times, Brazil has experienced an enormous growth of interest in Classical theatre. A replica of London’s Globe Theatre is currently under construction in the State of Minas Gerais (it will be the theatre’s first international venue), and the director of the project, Mauro Maya, indeed plans to open the playhouse during the 2016 Olympics. Similarly ambitious, Sao Paulo company Escritorio das Artes intends to stage all of Shakespeare’s plays by 2015 (a feat never accomplished in Brazil, as some of the plays have yet to be translated).

Thus, inspired by those events, I have decided that I will relocate to Brazil once I’ve completed my training at LAMDA, and open an acting studio/classical company called “Jogadores de Shakespeare”. Essentially, JdS would function as an international company, run by an international actor (me!), whose focus would be the exploration of the Classical cannon and its relevance/contextualization in modern Brazilian society.

JdS would offer intensive training for local actors in the classics (a rare thing in Brazil), masterclasses by international artists (through the many connections I’ve made in my years abroad) and we would also stage fully mounted theatrical productions – some of them bilingual (in an attempt to bring the world deeply into Brazilian culture, and vice-versa).

In truth, at the heart of this project, is the very same notion shared by the visionaries of the 2012 Games: the idea of creating a legacy. This is not a request for funding for a one-off affair. This is our chance to lay a firm stepping-stone on the path towards the cultural enrichment of a place that is filled with potential.

– Who is the project for?

The main goal of JdS is to enhance the knowledge and practices of Shakespeare’s plays in Brazilian theatre. We will start by offering training and productions to the local community of Belo Horizonte. A good friend of mine from that city, theatre producer/teacher Rick Alves, once told me that “there’s a market anywhere if your idea is good enough” – and although slightly clichéd, I tend to agree with him. Belo Horizonte is a mega-city of about 4 million people, and the capital of the State of Minas Gerais (where the Globe is being built). This State, which is further into the interior of the country, is screaming for cultural development. Moreover, I have had two Skype meetings with Globe producer Mauro Maya, and there is interest in using the training JdS offers for the actors that will one day step onto the Brazilian Globe – Brazilians aren’t well versed in classical text, and JdS can offer the resources to fill that gap.

– How will we approach the markets?

The contacts I have established with the Globe Theatre Brazil and Rick Alves’s Espaco Cenico have been crucial in the development of the ideas behind JdS. My training and experiences are unique in that I have a great understanding of Shakespeare in both Portuguese and English. JdS will offer a type of experience that is unheard of in Brazil: the study and training in Shakespeare through his First Folio (the document that is closest to what he actually wrote). This practice is nonexistent in Brazil. JdS will approach both aspiring and experienced actors with the promise of an extremely thorough, vigorous and pleasurable exploration of Shakespeare – by the way, “jogadores” means “players” in Portuguese; not in the sense of actors, but solely as in “athletes/footballers”. The word-play is meant to be a nod to Brazil’s football culture, and it also expresses the athletic discipline needed for classical training.

– How long is it going to take?

The development of contacts (media and professionals), partnerships and location-scouting will take up most of the first half of this yearly project. The second half of the year will be spent on developing/improving the JdS studio (hiring staff, collaborators, etc). Parallel to those logistical activities, JdS will continuously offer workshops. The goal is to have a fully mounted production of a Shakespearean play (staged by students and professionals) by the 12th month of the project. Eventually, in an ideal future, JdS would like to grow in order to organize a local Shakespeare festival – in many ways, not unlike the development of Canada’s Stratford Festival back in the 1950s.

Rodrigo “Rod” Beilfuss

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